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PROJETO MEMORIAL À REPÚBLICA

Projeto vencedor de Concurso Nacional promovido pela Prefeitura do Município de Piracicaba e organizado pelo IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil-Departamento de São Paulo) por ocasião do Programa alusivo ao centenário de morte do primeiro presidente civil do país – “PRUDENTE DE MORAES (1841-1902). A REPÚBLICA NO BRASIL”, realizado em 2002. Trata-se de um equipamento público caracterizado como centro cultural, dispondo de creche, auditório, sala de exposições, área de lazer e biblioteca multimeios.

Em memória aos valores republicanos, inspira-se em Prudente de Moraes, que fez carreira profissional e política em Piracicaba, tornando-a pólo republicano em plena vigência da Monarquia. Este projeto é vinculado às secretarias municipais de Ação Cultural e de Educação.

MEMORIAL À REPÚBLICA

O Memorial que se propõe procura resgatar a origem da palavra República – do latim res publica, coisa pública –, reorganizando o chão da cidade, enfatizando seu caráter primordialmente público e evidenciando a cultura e a transmissão do conhecimento como seu mais representativo documento.



Ao destacar os programas da creche-escola e da biblioteca, este Memorial assume uma postura diferente do sentido convencional da palavra monumento – do latim monumentu, obra ou construção que se destina a transmitir à posteridade a memória de fato ou pessoa notável –, extrapolando as atividades de registro da história republicana, insinua uma idéia otimista de construção do seu próprio futuro. A creche-escola é assumida como parte importante do Projeto do Memorial à República, e ajuda a constituir um conjunto coeso que preserva, no entanto, a autonomia necessária de cada setor e suas atividades.

A topografia da quadra, marcada pelo declive em direção ao leito do rio Piracicaba, e a importante arborização existente determinam o partido do projeto. Uma operação inicial, um corte no terreno no ponto médio da quadra, paralelo ao eixo do rio, configura e organiza todos os setores do Projeto e os espaços externos.

Essa operação cria dois térreos de características bastante distintas. O térreo inferior, no nível 492.00, concentra os acessos aos programas e abriga uma praça cívica que sugere uma possível integração com o conjunto do Hotel Beira-Rio. No térreo superior, junto à rua Tiradentes, situa-se o jardim público, livre de qualquer elemento construído. A arborização existente é preservada, mantendo-se o papel que o lugar já desempenhou na vizinhança. Seu prolongamento natural em direção ao rio culmina em uma esplanada de 90m de cumprimento por 15m de largura, no nível 496.00. Esta laje se presta como cobertura do pátio da creche-escola, do café e dos espaços expositivos.

Os térreos se sobrepõem e se coadunam através das calçadas laterais e de uma escadaria no centro do conjunto. A passagem dessa conexão sob a laje da esplanada configura o acesso dos visitantes ao Memorial. Uma segunda laje, coberta por um espelho d’água, abriga todo programa da creche-escola, organizada em torno de um vazio.

O elemento que se destaca em todo o conjunto é o edifício da biblioteca, posicionado no eixo da ponte sobre o rio e da rua Campos Salles. Trata-se de uma torre de concreto que abriga todo o acervo numa única estante, e apóia os serviços em estruturas metálicas, envolvida em uma pele de vidro estrutural transparente. Dessa forma, o acervo é visível de quase toda a praça. O acesso à biblioteca se dá somente pelo nível 488.30, onde se encontram o espaço expositivo e o anfiteatro, além dos serviços de apoio.

Esta torre ilumina a praça durante o dia e à noite. Ao seu silêncio associam-se o rumor das águas do rio Piracicaba e o burburinho das crianças da creche-escola.

Trata-se, assim, de um monumento feito de espaços e sentidos, como um farol que aponta para o futuro.


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